Desemprego é crime?
Desemprego é crime?
Esta
pergunta tem a ver com as apresentações periódicas quinzenais, que os
desempregados que recebem subsídio de desemprego têm de fazer. Alem disso, num
país onde não existe a criação de novos postos de trabalho, são obrigado
semanalmente à busca de um possível emprego. Esse é o meu caso!
Para
os meus amigos que habitualmente me convidam para qualquer programa, eu costumo
responder o seguinte:
-Estou
com termo de identidade e residência, pelo que não te posso acompanhar.
Quinzenalmente
tenho de me apresentar na Junta de
Freguesia onde resido para provar que estou por casa. Não sei bem o que é que
isso prova, mas sei que limita a mobilidade de quem está desempregado. O meu
caso, que é muito complicado, já vai com 4 anos de desempregado, sem que o IEFP
tenha arranjado uma única hipótese de emprego, Claro que semanalmente faço a
busca de emprego, mas nunca fui chamado para uma entrevista. Também não posso
esperar muito com 63 anos de idade, não estou a ver nenhuma empresa a colocar
nos seus quadros uma pessoa com esta idade. Não por falta de competência, mas
que acham normalmente que com esta idade já não somos válidos.
Claro
que todas estas dificuldades que o IEFP coloca aos desempregados que auferem
subsídio de desemprego, é com a intenção de os apanharem em falta, ou seja,
basta haver um esquecimento do dia de apresentação na Junta de Freguesia e lá
se vai o subsídio de desemprego. Se não houver busca intensiva de procura de
emprego e quando é chamado ao IEFP para fazer prova de o ter feito, se não
provar que todas as semanas procurou ou respondeu a um anúncio de emprego, lá
se vai o subsídio de emprego. Enfim, uma acção persecutória constante da parte
do IEFP, ou melhor do Ministério da Segurança Social, que tutela esta entidade.
Aliás, o meu caso é mais que exemplo dessa mesma perseguição:
No dia 6 de Abril do passado ano, terminou o
período de Fundo de Desemprego com o respectivo subsídio a que tinha direito.
Mas como há uma sentença do Tribunal de Trabalho de Barcelos já transitada em julgado desde 27 de Março do
passado ano e como não obrigaram a antiga entidade patronal a devolver o
montante recebido por mim durante esse período de desemprego, não me deixaram
entrar na reforma a que tinha direito nessa altura (mais de 40 anos de
descontos, e mais de 60 anos de idade). Mas como fiz queixa ao Provedor de
Justiça de me cortarem o subsídio de Desemprego e de não me darem a reforma a
que tinha direito, mas que a Caixa Nacional de Pensões alegou e pelos vistos
bem, que vão entrar salários e que devido a isso o desemprego de três anos e
três meses tinha de ser anulado. Ok. Mas, durante esse período de tempo em que
estive desempregado (ainda estou), não deixei de fazer apresentações
periódicas, busca de emprego, Formações, etc. Quero com isto dizer, que já
estou com termo de identidade e residência
há quatro anos, apesar de terem anulado o período de Fevereiro de 2011 e Abril
de 2013.
No
entanto, como estava para me reformar a partir de 7 de Abril de 2013, conforme
o meu pedido aceite pela Segurança Social e que até ao dia 14 de Abril de 2013
esteve aprovado, poderia muito bem ter deixado de fazer busca de emprego no fim
de Março de 2013. Por sorte minha, não o fiz, porque a Segurança Social numa
acção persecutória, enviou-me uma carta antes mesmo de eu ser informado que
iria novamente começar a receber o Subsídio de Desemprego por novo período de
três anos e três meses, a deslocar-me ao IEFP da minha zona a fim de apresentar
as buscas de emprego. Tentaram apanhar-me ao virar da curva, para me deixarem
sem subsídio de desemprego, mas não tiveram sorte, porque como já ando cá há 63
anos, talvez saiba mais que muitos dos doutores colocados pelos partidos na
Segurança Social.
No
entanto, continuo com termo de identidade e residência, porque quinzenalmente
tenho de fazer apresentação na Junta de Freguesia e semanalmente tenho de fazer busca de emprego, apesar de
continuar a não conseguir sequer uma entrevista.
Portanto,
concordo com o autor do texto abaixo, que faz a pergunta se desemprego é crime?
Para o Ministro da Segurança Social parece que é.
Para receberem o subsídio a que
têm todo o direito, os 740 mil desempregados registados em Portugal passam
autênticas provações. 17.01.2015 00:30
Estas são infligidas pelo
Instituto de Emprego, cuja missão seria apoiá-los, canalizando-os para uma nova
função compatível com as suas competências profissionais. Mas o IEFP
entretém-se a humilhá-los e tratá-los como se fossem malandros que não querem trabalhar.
Desde logo, os beneficiários do subsídio têm de atestar a permanência na sua
morada oficial, como se fossem arguidos obrigados a termo de identidade e
residência. Esta condição é atestada pelas juntas de freguesia, a que os
desempregados acorrem num calvário burocrático, cansativo e inútil. Além do
mais, os desempregados estão ainda obrigados à "procura ativa de
emprego", devendo demonstrar que envidam esforços para conseguir emprego,
missão que deveria ser responsabilidade do IEFP. Como não há criação de postos
de trabalho, os cidadãos vítimas de desemprego limitam-se a ir às empresas
implorar que estas atestem a sua candidatura a um lugar para o qual não têm
apetência ou que nem sequer existe. Obtido o documento, segue o papel para o
IEFP. Assim, finge-se a procura de emprego, as empresas fingem entrevistá-los e
o IEFP finge que fiscaliza. Com este tipo de práticas, o IEFP falha
completamente a sua missão. Não sabe lidar com o problema do desemprego, apenas
sabe perseguir pessoas. O IEFP, bem como este sistema de gestão do desemprego,
faliu. Urge encontrar um novo modelo. Que poderá eventualmente passar pelos
sindicatos, à semelhança doutros países. Poderiam ser estes a pagar o subsídio
de desemprego, desde que recebessem as comparticipações respetivas dos
trabalhadores. Estes passariam a ser maioritariamente associados, renovando-se
o movimento sindical, hoje reduzido a menos de quinze por cento da força
laboral. Neste novo sistema, os sindicatos deixariam de defender apenas os
direitos dos empregados e passariam também a pugnar pelo direito ao emprego de
todos os ativos. Finalmente, em cada setor, elevadas taxas de empregabilidade
garantiriam maior força aos sindicatos, a sua sustentabilidade económica e a
sua independência.
Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/paulo_morais/detalhe/desemprego_e_crime.html
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