E continua o esvaziamento de licenciados no país
Hoje 9 de Janeiro de 2015,
fica na minha memória porque o meu filho e a minha nora emigraram para Inglaterra. (Mais
dois licenciados que abandonaram o país, um engenheiro civil e uma arquitecta) Neste
país onde nascemos, não existe perspectivas de futuro. Para os mais velhos, tal
como eu, não resta mais nada senão esperar pela reforma em 2017. Nessa altura,
tenho 52 anos de descontos para a Segurança Social, uma vida. Mas o Governo
acha que é pouco tempo de trabalho e de descontos e faz aumentar a idade da
reforma anualmente. Portanto, as perspectivas de vida dos mais velhos é um
pouco sombria. Para os mais novos, não resta mais nada senão emigrar, aliás, é
essa a vontade do Primeiro Ministro, que no
início do seu mandato fartou-se de pedir aos jovens para emigrarem e
procurarem no estrangeiro o trabalho que por cá não existe. Desde então, é ver
os nossos jovens qualificados a emigrar. São os enfermeiros, os engenheiros, os
arquitectos e muitas outras profissões. Um dia, vamos querer o regressos desses
jovens qualificados, mas eles entretanto criaram raízes nos países para onde
emigraram e por lá ficarão. Hoje não me parece que exista aquele tipo de
emigrante dos anos 60, que enviava o seu dinheiro para a terra e que o seu
sonho era a construção da casinha na aldeia onde tinha nascido. Actualmente, a
nossa juventude são sobretudo cidadãos do mundo e vivem onde se sintam bem.
Um país que não é capaz de
oferecer condições de vida aos seus cidadãos e que os seus governantes têm a
narrativa de constantemente dizer que vivemos acima das nossas possibilidades,
é um país que não merece sacrifícios por ele.
Tivemos uma guerra colonial
e hoje as gerações que foram para essa guerra, defender os interesses do país,
são quase tratados como bandidos, mas aqueles que são enviados actualmente para
missões no estrangeiro para defender os interesses da NATO e da UE, esse
são considerados heróis. Algo está mal
nesta atitude dos governantes.
Os nossos jovens que estão a
estudar e outros inclusive já na idade de estarem no mercado de trabalho, não
conseguem arranjar emprego nas áreas da sua formação académica e os que têm
essa sorte, são explorados e não têm quaisquer perspectivas de progressão na
carreira. Ficam anos a fio a ganhar uns míseros 1.000 euros e não conta os anos
que andaram a estudar e a licenciatura que tiraram. Daí a necessidade de
emigrarem para conseguirem uma vida melhor, constituírem família e darem um
futuro aos seus filhos.
Os últimos quatro anos foi
de destruição de postos de trabalho e parece que não vai haver melhorias, até
pelo contrário, apesar de o Governo pretender ser optimista. No entanto, as probabilidades
de o desemprego baixar são muito fracas, basta ver o que foi respondido pelos
empresários portugueses sobre a possibilidade de criação de novos postos de
trabalho, a curto prazo.
Tem havido por parte do
Governo e das suas instituições, notícias sobre a criação de postos de trabalho
e por conseguinte baixa de número de desempregados. Essa leitura deve ser feita
por encomenda, porque não são contabilizados os jovens que emigraram
entretanto, não contemplam os desempregados que estão em formações
profissionais e que mal estas terminem, voltam a engrossar os números e também
excluem os desempregados de longa duração que já não obtêm nenhum subsídio de
desemprego e que já deixaram de fazer busca activa de trabalho, logo estão fora
das listas dos centros de emprego. Além disso, existe ainda os casos de desempregados
que foram retirados das listas dos centros de emprego, porque foi dada a
indicação que tinham passado a receber a pensão de velhice. Essa situação
aconteceu comigo, fui obrigado a ir à Segurança Social solicitar uma declaração
de que estava no desemprego e a receber o dito subsídio até 2017. Nessa altura,
para me demonstrarem que o erro tinha sido da Segurança Social, mostraram-me um
lista com cerca de 20 nomes a dar baixa no Centro de Emprego da Póvoa de
Varzim. Se aconteceu a mesma coisa em todos os centros de emprego deste país,
lá temos mais uns quantos largos milhares de pessoas que foram retirados das
listas em Outubro. E assim se fazem estatísticas que depois são questionadas
pelos deputados da oposição e pelos sindicatos.
Hoje também está a ser
noticiado que estão a morrer mais de 400 pessoas por dia, tendo o domingo
passado atingido 464 pessoas falecidas. Somos um país com a população muito
envelhecida, existem poucos nascimentos anuais e com a emigração de jovens,
tudo fica mais complicado. Qualquer dia temos de fechar o país por falta de
população. Enfim este país não presta mesmo.
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