A Concessão dos Transportes Públicos do Porto e de Lisboa

O Governo prepara-se para concessionar a privados os transportes colectivos do Porto e de Lisboa, ou seja, STCP e Metro do Porto, assim como a Carris e o Metro de Lisboa. No entanto, o passivo das empresas ficam no  Estado. Quer isto dizer, que vamos dar a exploração dos transportes colectivos de Lisboa e Porto a privados, para que estes ganhem dinheiro, mas vamos ficar com os ossos, isto é, a dívida das respectivas empresas, ficam do lado dos contribuintes.
Parece que a ideia do Governo será de pagar uma renda aos concessionários, ou seja, o Estado fica com a receita da venda das passagens e paga uma renda aos concessionários. Estes ficam com o pessoal ao seu encargo, excepto os trabalhadores administrativos, que continuam  a pertencer ao Estado[1]. A manutenção das frotas, passam para os privados, não sendo dito nada sobre quem fica com a obrigação da renovação da frota.
Pelo que consigo perceber neste negócio, os concessionários, não terão de se preocupar se as pessoas compraram ou não a passagem, porque recebem uma renda pela prestação do serviço. Sendo assim, quem fiscaliza os utentes, para ver se estes compraram ou não a passagem?
Se nos autocarros até é fácil essa verificação, pois é necessário validar o título de transporte junto do  motorista, já no Metro, as coisa funcionam de forma diferente e pela experiência própria, das muitas viagens efectuadas no Metro  do Porto, apenas duas vezes fui interpelado pelos fiscais e isso, já foi há bastante tempo atrás, porque actualmente, não tenho visto fiscalização nem no transporte, nem no fim da viagem, como acontece algumas vezes, nomeadamente em dias de jogo no Dragão.
 A consulta pública lançada em Fevereiro, cujo prazo de resposta terminou a 16 de Março, permitiu ainda tomar decisões sobre o modelo de exploração dos transportes públicos, com contratos que não deverão ir além dos dez anos. Entre os dois cenários em cima da mesa, um em que o risco era partilhado e outro em que o privado recebe uma renda do Estado, a opção recaiu sobre o segundo. Ou seja, as receitas com a venda de bilhetes entram directamente nos cofres públicos, que pagam depois ao concessionário uma remuneração fixa e, provavelmente, uma variável em função da procura. O privado também ficará responsável pela manutenção da rede e da frota[2].
Pelo que se pode verificar com o parágrafo acima, isto parece mais uma PPP e com o ónus do risco para o lado do Estado. Parece que não aprendemos com os erros do passado, ou então, isto será um negócio muito bom para alguém, e consequentemente para os políticos que puserem isto em marcha.
Alem disso, vamos ter um problema sério no que diz respeito às actuais carreiras de transportes rodoviários, pois se quem fica com ambas as empresas, é o  mesmo  gestor, este irá com toda a certeza retirar autocarros, nas zonas servidas pelo Metro, a fim de evitar custos, é a lógica de um gestor, mas quem irá sofrer as consequências disso, serão os utentes. Possivelmente, vamos ter mais aumentos de preços (não esquecer, que nos primeiros treze meses de governação deste Governo, houve três aumentos).




[1] http://www.publico.pt/economia/noticia/governo-quer-concessoes-nos-transportes-ate-abril-mantendo-divida-no-estado-1630574
[2] http://www.publico.pt/economia/noticia/governo-quer-concessoes-nos-transportes-ate-abril-mantendo-divida-no-estado-1630574

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