Ainda as eleições legislativas de 4 de Outubro.
Não
consigo perceber a vontade dos comentadores, dos políticos, da Comissão
Europeia, dos Congressistas do PP que estão reunidos em Madrid, enfim, de todos
aqueles que de um momento para o outro, pretendem dizer que votaram no PS nas
eleições de 4 de Outubro. Sim, que votaram, mas não votaram, apenas e só,
alegam que quem votou no PS não foi para ter uma coligação de esquerda.
Esquecem-se que quem votou no PS, votou contra a coligação de direita. (Além
disso não conseguem sequer imaginar o que vai na cabeça de quem votou no PS,
porquê alegarem isto ou aquilo, sobre quem votou PS) Essa foi a realidade pura
e dura, que os comentadores, os políticos e todos aqueles que opinam contra a
possível coligação do PS com os partidos mais à sua esquerda.
Não
foi o PS que esteve a ser julgado nestas eleições, foi a coligação e essa
perdeu mais de 700 mil votos, logo perdeu a maioria para governar.
Andarem
a dizer que quem votou no PS não foi para ver este partido a coligar-se com a
esquerda radical. Uma coisa é certa, quem votou PS, votou contra a política de
Passos Coelho e de Paulo Portas. Exactamente a mesma coisa se passa, com
aqueles que votaram BE ou CDU. É isso que une esta esquerda. Todos votaram
contra a coligação de direita e isso custa muito aos comentadores políticos e
aos políticos da direita portuguesa. Mas têm de se habituar que as coisas mudam
quando menos esperam e não se tem de fazer o que eles querem mas sim, o que a
vontade de todos aqueles que votaram e que conseguiram formar uma maioria no
Parlamento.
Também
sei que a direita gosta pouco que se fale de democracia e de vontade popular,
mas a verdade é que quer queiram quer não, terão de se submeter à democracia
parlamentar.
Sei
que tivemos um ditador de direita durante 48 anos e que este Passos Coelho é um
autêntico discípulo desse ditador, já que tentou sempre durante o seu mandato,
elaborar Orçamentos de Estado inconstitucionais. Não foi um, mas todos os OE
deste Governo foram chumbados pelo Tribunal Constitucional. O garante do
funcionamento democrático, já que o PR não o quis fazer, por ser da mesma cor
política.
Portanto,
se houver um Governo de esquerda, não é porque a maioria dos portugueses não o
tenham eleito. Os portugueses elegeram deputados que deram uma maioria
parlamentar à esquerda e esta uniu-se contra o Governo de direita que nos
governou quatro anos e foi demais. Esta maioria de deputados, foram eleitos
pelos portugueses que votaram contra a direita e é exactamente isso que
prevalece.
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