Quase todos venceram...
No balanço das eleições
autárquicas, chegamos à conclusão, que houve diversos vencedores:
1.º O PS, que obteve a
maioria dos votos e a maioria das câmaras municipais. Dos quatro conselhos mais
populosos do país, conseguiram três dessas câmaras e duas delas com maioria
absoluta, tais como Lisboa e Vila Nova de Gaia.
Com esta votação, conseguiu
obter a presidência da Associação Nacional de Municípios, que nas três últimas
votações, pertenceu ao PSD.
2.º O PCP-PEV, que ganhou
uma quantidade de câmaras municipais.
3.º Os independentes, que
venceram as máquinas partidárias com muita facilidade. Em algumas câmaras, até
conseguiram a proeza de obter a maioria absoluta.
4.º Ganha o CDS que apenas
tinha uma câmara municipal e no fim destas eleições autárquicas, acaba por
ficar com cinco.
Nestas eleições, também ganhou
a abstenção que cresceu para 47,4% e os votos em branco 3,9% e nulos 2,9%[i].
Portanto, além do PS, que
ganhou claramente estas eleições, ganhou o PCP-PEV, o CDS e os independentes
que foram eleitos.
Os grandes perdedores destas
eleições foram:
1.º O PSD, que sofreu uma
derrota estrondosa, ao contrário do que os seus dirigentes estavam a contar,
pois ainda no início da passada semana, achavam que iriam disputar estas
eleições taco a toco. Como sempre a direcção deste partido, que também é o
chefe de Governo, tem sempre más previsões, tanto nas eleições como nos resultados
das suas medidas para com os portugueses.
Na Madeira a derrota do PSD
é mais que histórica, dá a ideia que houve uma revolução total no arquipélago,
porque de 12 camaras municipais, o PSD perdeu 7.
Vila Real pela primeira vez
desde o 25 de Abril de 1974, que deu a vitória ao PS, talvez por o
Primeiro-ministro ser natural de Vila Real e os seus pais viverem lá. Às vezes
a vingança serve-se fria.
2.º Perdeu também o Bloco de
Esquerda, já que ficou sem a sua única câmara para o PS e não conseguiu eleger
o vereador em Lisboa como pensava, ficou a 70 votos de ser eleito, mas não
conseguiu.
Perde o PS uma quantidade de
câmara municipais para o PCP-PEV, perde Braga para o PPSD e a Guarda para o PSD
e ainda, Matosinhos para o independente, que antes foi eleito presidente pelo
PS. A má escolha de cabeças de listas, por parte do PS e também pelo PSD,
originou nesta grande vitória de independentes no país.
Podemos chegar à conclusão
que o Governo teve um grande cartão vermelho, relacionado com a política
seguida até agora, que o próprio Vítor Gaspar, aquando da sua demissão disse
estar errada.
O PS também teve um cartão
alaranjado, porque a perda de capitais de Distrito, tais como Braga, Guarda,
Évora e Beja, não vai ser de fácil digestão por parte do PS. Já não falando da
perda de Matosinhos, por erro de escolha do candidato, porque o vencedor, era o
Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos e foi eleito pela lista do PS na
anterior eleição. Portanto, não deveria ter sido alterada a opção. Assim como a
não eleição no Porto do seu candidato, a favor de um independente.
Claro que no PSD, já se
fizeram sentir os desejos de alguns dos históricos ao pedirem a antecipação do
seu Congresso, para que possam escolher um novo líder, porque este já deu o que
tinha para dar, ou seja, a maior derrota de sempre em eleições.
Quem não perdeu nada e
apenas ganhou foi o PCP-PEV e o CDS, mas muito mais significativa a vitória do
PCP, já que o Alentejo fica com uma grande mancha vermelha, o que não era
normal.
O país é uma grande mancha
rosa, e até a Madeira passou a ser multicolor, tendo sido substituído a unicolor
laranja, pelas diversas cores partidárias.
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