Alguns dos burlões do BPN, mas impunes...


A vergonha do BPN continua!
Entramos em novo ano, mas continua tudo na mesma no que diz respeito às burlas do BPN, ou seja, a justiça não se faz.
Os bons exemplos que se poderiam importar dos Estados Unidos da América, como por exemplo no caso Madoff, que faliu, mas foi expropriado de todos os bens e foi condenado a prisão em muito pouco tempo.
Pois cá no nosso paraíso, os grandes burlões, ficam a salvo de ser expropriados de bens e valores que adquiriram fraudulentamente, através do BPN.
Não podemos esquecer José de Oliveira e Costa, Manuel Dias Loureiro, Duarte Lima, entre muitos outros, que também estão referenciados numa investigação da Sábado, conforme pode ser consultado abaixo.
 Lista:
José Duarte Serpa, Navecinco, Importação e Exportação, Lda, Sogelcod, produtos do Mar, Lda, Vasco Veiga, João Braz Abrantes, Abdool Vakil, Carlos Marques, SNI Olaias, Sociedade Nacional e Internacional de Logística, SA, JTX, Gestão de Empresas, Unipessoal, Lda, Labicer, Laboratório Industrial Cerâmico, SA, SLN Valor, SGPS, SA, Rui Jorge Costa, Banco Insular (BI) de Cabo Verde, Arlindo Carvalho, José Neto, Donau, Investimentos Imobiliários e Turísticos, Lda., Carlos Alves, Sogipart, Sociedade Imobiliária, SGPS, SA, Imonações, Sociedade Imobiliária, SA, Aprigus, Companhia de Investimentos Imobiliários Comerciais, SA, Imoholding, Património Imobiliário, SGPS, SA, Aprígio Santos, Parques do Mondego, Sunderel - Gestão Imobiliária, Cleal - Investimentos Imobiliários.
A lista é muito maior, mas não está disponível!
Se confiscassem todo o património dos gestores destas empresas e dos nomes individuais que aparecem pelo meio, como um ex-ministro da Saúde de Cavaco Silva, Arlindo Carvalho, talvez não tivéssemos de pagar cerca de 8.000 milhões de euros, desviados fraudulentamente, por empréstimos de milhões de euros, sem garantias a estas empresas.
Convenhamos que a nacionalização do BPN, foi uma bênção para toda esta gente que esteve envolvida com este Banco dos “amigos do PSD”. Uma estupidez do primeiro-ministro José Sócrates, ou não… salvou muita gente do PSD. Alguns, ficaram de fora e foram apanhados numa teia, mas duvido que lhes aconteça seja o que for. “Apenas foram cometidas algumas ilegalidades”, com um custo para o país de cerca de 8.000 milhões de euros, uma pequena bagatela. Nós pagamos e eles gozam esse dinheiro!

Estado assume dívida de 10 milhões de Vítor Baía
A Ferver: 31.12 - 20h
O Estado assumiu, através da empresa pública Parvalorem, a dívida de quase 10 milhões de euros de duas empresas de Vítor Baía ao BPN. A dívida resulta da concessão de créditos pelo banco, quando era liderado por José Oliveira e Costa, às sociedades Sunderel - Gestão Imobiliária, e Cleal - Investimentos Imobiliários, que foi gerida por António Manuel Esteves, o ex-sócio a quem Vítor Baía acusou de burla.
As dívidas da Sunderel e da Cleal ao BPN foram transferidas para a Parvalorem, sociedade criada para acolher os activos tóxicos do BPN no âmbito da privatização do banco, que foi nacionalizado no início de Novembro de 2008. Como a Parvalorem comprou esses créditos ao BPN, cabe agora a essa empresa pública recuperar o dinheiro.
Para já, segundo apurou o CM, a dívida da Sunderel rondará, incluindo juros de mora, quatro milhões de euros. Já a dívida da Cleal, incluindo também juros de mora, ascenderá a cerca de seis milhões de euros. Os empréstimos do BPN a estas empresas tiveram como objectivo financiar projectos ligados ao sector imobiliário.
Mesmo com a dívida total da Sunderel e da Cleal a rondar os 10 milhões de euros, "os créditos das empresas de Vítor Baía não são os piores, porque têm garantias reais", garante fonte conhecedora do processo. E tanto assim é que, segundo assegura a mesma fonte, "as garantias reais dão quase para pagar as dívidas [da Sunderel e da Cleal]".
A transferência da dívida destas firmas para a Parvalorem não é um caso único: desde o final de 2011, essa sociedade pública já comprou ao BIC créditos malparados no valor total de quase 4,2 mil milhões de euros.
O CM tentou falar, por telemóvel, com Vítor Baía, mas sem sucesso. Foram enviados SMS com o assunto em causa, mas o ex-guarda-redes não respondeu. Vítor Baía realizou, nos últimos anos, investimentos imobiliários: um deles foi o Hotel Évora Machede, no Alentejo.
Fonte:
Investigação SÁBADO
O testa de ferro do BPN
25-10-2010
Por António José Vilela
O empresário José Serpa garante que altos quadros do BPN e a administração liderada por Oliveira Costa lhe ordenaram que fizesse vários negócios ruinosos. Hoje diz que está arrependido e falido. O banco terá perdido 25 milhões de euros.
José Duarte Serpa, empresário ouvido como testemunha no âmbito das investigações judiciais do caso BPN, enviou a 26 de Dezembro de 2008 uma carta registada pelo correio. O destinatário era Francisco Bandeira, o homem que José Sócrates mandatara pouco mais de mês e meio antes para gerir os destinos do banco criado por Oliveira Costa, nacionalizado a 2 de Novembro desse ano pelo Governo. O assunto: a revelação de que fora um dos vários testas-de-ferro do BPN em negócios ruinosos que também acabariam por o levar à falência.
“A pedido de altos responsáveis do BPN, uma sociedade de que o signatário é sócio, a Navecinco, Importação e Exportação, Lda tomou posição no capital social da Sogelcod, mediante escritura de cessão de quotas realizada em 8/05/06. Pela cessão de quotas pagou o preço de 1 euro”, descreveu então o empresário, garantindo que nunca sequer pusera um pé na Sogelcod e que, durante a escritura em que comprara cerca de 2/3 da empresa, foi de imediato designado como gerente uma “pessoa indicada por responsável do BPN”.
O empresário explicou que, para levar por diante o negócio de 1 euro, lhe fora pedido que assinasse também um “cheque de favor” à Sogelcod de 4,6 milhões de euros, cheque esse que garantiu ter sido “preenchido por um funcionário” do BPN. O acordo passaria ainda por a ordem de pagamento pré-datada em nome da empresa Navecinco não ser levantada pelo BPN, devendo ser substituída, de seis em seis meses, por um novo cheque. “O BPN Crédito assumiu por escrito, em carta cuja cópia possuímos, a obrigação de restituição deste cheque assim que o mesmo fosse por nós reclamado, o que não fez até ao momento”, lembrou José Serpa. “O BPN perdeu cerca de 25 milhões de euros no caso Sogelcod, Navecinco, Donau e outros com ele conexos”, garante à SÁBADO uma fonte do BPN. “Foi uma bola de neve provocada por uma gestão descontrolada”, conclui.
A Sogelcod, produtos do Mar, Lda consta de uma longa lista de clientes devedores do BPN, elaborada internamente e datada de 31 de Outubro de 2008, precisamente dois dias antes da nacionalização do banco. Segundo o documento a que SÁBADO teve acesso, a referida sociedade por quotas, criada em 2002 e dedicada ao comércio de bacalhau e produtos da pesca, surgia como devedora de dois empréstimos, um de 3.951.082 euros e outro de 1.903.399 euros.
A lista especificava ainda que o BPN não possuía sequer qualquer garantia bancária sobre os empréstimos da empresa e o próprio banco previa uma perda de activos na ordem dos 3 milhões de euros. Hoje, a Sogelcod, que ainda é formalmente detida pela Navecinco e pelo sócio minoritário Vasco Veiga, tem um impressionante cadastro financeiro – só do BPN, em 2009 (já com administração estatal), foram várias as acções cíveis, estimadas em quase 9 milhões de euros.
O banco avançou também este ano com uma nova acção cível de cerca de 1,7 milhões de euros contra o sócio minoritário. “Este dossiê foi sempre conhecido de João Braz Abrantes, genro de Oliveira Costa”, revela fonte do banco. João Braz Abrantes saiu do BPN em Fevereiro de 2008, durante a gestão de Abdool Vakil, e é hoje um dos arguidos no processo da alegada megaburla de mais de 70 milhões de euros ao BPN que recentemente levou à prisão preventiva do empresário Carlos Marques.
A Sogelcod continua ainda hoje ligada à Navecinco, que por sua vez é uma empresa detida por outras duas do empresário José Serpa, a SNI Olaias, Sociedade Nacional e Internacional de Logística, SA, que tem a maioria do capital, e a JTX, Gestão de Empresas, Unipessoal, Lda. A primeira está formalmente falida desde Julho de 2009. A segunda foi também nesse ano processada pelo BPN em 1,924 milhões de euros. Mas a pequena JTX (que tem também participações financeiras numa firma de táxis e noutra de aluguer de veículos) é a empresa que viria alegadamente a servir de testa-de-ferro na compra de 13,29% do capital social da Labicer, Laboratório Industrial Cerâmico, SA. De acordo com os documentos a que a SÁBADO teve acesso, o negócio foi feito a 14 de Novembro de 2005.
“O preço da operação foi de 1.383.400 euros, capital de que a JTX não dispunha, mas que o BPN financiou, mediante contrato de abertura de crédito, da mesma data, no montante de 1.390.000 euros”, garante na carta José Serpa, também gerente da JTX. Observa ainda que, menos de dois meses depois, a 21 de Janeiro de 2006, “a pedido do BPN”, a JTX passou uma procuração irrevogável à SLN Valor, SGPS, SA (do universo BPN). A partir daí, a SLN teve plenos poderes para vender as acções da Labicer, inclusive a si própria, e para representar a JTX nas assembleias-gerais.
Após ficar nas mãos da SLN Valor, a JTX voltou a recorrer ao crédito do BPN ainda no negócio de compra das acções da Labicer. A 15 de Junho de 2007, o financiamento subiu de cerca de 1,4 milhões de euros para 1,65 milhões de euros. “Esta operação foi desenhada pelo BPN e por si acompanhada até ao presente”, escreveu José Serpa no fim de 2008, salientando que a “situação é conhecida de numerosos altos responsáveis do BPN”.
A Labicer é mais um dos inexplicáveis e ruinosos negócios do grupo BPN. Na lista de devedores de 31 de Outubro de 2008, que incluía também o registo de accionistas e das empresas dos próprios grupos BPN e SLN, a empresa, sediada na zona de Aveiro, surge referida com uma dívida a rondar os 47 milhões de euros e garantias bancárias de apenas cerca de 1,4 milhões de euros. No documento previa-se ainda que não se recuperaria nem 1 cêntimo do investimento do BPN.
A história dos financiamentos avultados à Labicer começara anos antes, porventura a partir de 2002. Oliveira Costa sempre considerou que tinha futuro o negócio de azulejos, pavimentos e afins. O Estado português também. Em 2005 até aprovou a candidatura da Labicer a Projecto de Interesse Nacional (PIN) e, através de verbas comunitárias, atribuiu-lhe subsídios a fundo perdido de 9,16 milhões de euros. Igual valor ficou reservado para quando os objectivos do projecto estivessem cumpridos. Isso nunca aconteceu.
A Labicer foi somando dificuldades na produção e na captação de clientes, mas Oliveira Costa não desistiu.
Para adquirir a quase totalidade do capital social da empresa ou injectar novo capital (e alegadamente ocultar o que estaria a fazer), o presidente do BPN terá feito vários acordos com os accionistas da Labicer. Uns, como Rui Jorge Costa, foram encaminhados para o Banco Insular (BI) de Cabo Verde. Na auditoria ao BI, de 15 de Julho de 2008, a que a SÁBADO teve acesso, Rui Costa está mencionado como tendo um crédito de 1,250 milhões.
O esquema de cobertura do BI terá sido semelhante ao verificado em vários outros casos, como os empréstimos pessoais de mais de 8,5 milhões de euros contraídos (segundo o mesmo documento) pelo ex-ministro da Saúde Arlindo Carvalho, do governo liderado por Cavaco Silva, e pelo empresário José Neto. O Ministério Público (MP) suspeita que também tenham agido em vários negócios como testas-de-ferro de Oliveira Costa.
Tanto Arlindo Carvalho como José Neto já foram constituídos arguidos em mais uma investigação do caso BPN que decorre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). O processo deverá estar concluído, segundo fonte próxima da investigação, até ao início de 2011.
Antes de avançar para o capital social da Labicer, José Serpa garante ter entrado noutro negócio de que viria a arrepender-se: “A operação em torno de um prédio de que é proprietária a Donau, Investimentos Imobiliários e Turísticos, Lda.” Uma fonte do BPN garante à SÁBADO que o negócio, supervisionado por Carlos Alves (director comercial do BPN Leasing e administrador do BPN Crédito), envolveu cerca de 6 milhões de euros. A carta de José Serpa não explica o negócio imobiliário, e o empresário não quis prestar declarações à SÁBADO, mas refere a engenharia usada na compra da empresa pela SNI Olaias – hoje falida e na lista de devedores do BPN com um crédito por saldar de 2.169.558 euros. O director de marketing da SNI era João Abrantes, filho do genro de Oliveira Costa.
A escritura da cessão de quotas da Donau à SNI ocorreu a 21 de Dezembro de 2004, nas instalações do BPN, em Lisboa. No mesmo dia firmaram-se ali dois outros acordos. Primeiro, uma escritura de compra e venda com hipoteca. As partes foram o BPN, o BPN Crédito e a Donau, representada pelo novo sócio maioritário, a SNI (José Serpa). A SNI e a Sogipart, Sociedade Imobiliária, SGPS, SA assinaram depois um contrato de promessa de cessão de quota para concretizar a transferência da gestão da Donau para a Sogipart.
Neste novo negócio, a Sogipart foi representada por Rui Jorge Costa, que já tinha participado no caso Labicer. Quando foi fundada, em Janeiro de 2000, a Sogipart começara por chamar-se SLN, Imobiliária SGPS, SA e tinha uma participação de 60% no capital da Imonações, Sociedade Imobiliária, SA, uma sociedade entretanto dissolvida cuja sede era no edifício do BPN na António Augusto de Aguiar, em Lisboa.
A Sogipart viria a ser, em 2009, objecto de uma acção cível de cerca de 12,5 milhões de euros intentada pela Aprigus, Companhia de Investimentos Imobiliários Comerciais, SA. A SÁBADO não conseguiu apurar se o caso estará ligado ao negócio do imóvel da Donau, mas sabe que a Aprigius, tal como a Imoholding, Património Imobiliário, SGPS, SA, é propriedade do empresário Aprígio Santos, presidente do clube de futebol Naval 1.º de Maio. Na lista de créditos do BPN, de 31 de Outubro de 2008, consta que as duas empresas tinham dívidas de quase 44 milhões de euros e o BPN estimava uma perda de valor dos activos na ordem dos cerca de 23 milhões de euros. Uma outra firma do empresário, a Parques do Mondego, tinha também obtido do BPN um crédito de 18,5 milhões
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